Esboço de paralelismos: pensamento e ação em Celso Furtado e Florestan Fernandes, por Leonardo Belinelli

O Blog da BVPS publica hoje texto do cientista político Leonardo Belinelli, organizador da nossa coluna Interpretações do Brasil e política. Nele, o autor propõe uma leitura comparada da trajetória e da obra de dois dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX e que fariam 100 anos no mês passado: Florestan Fernandes e Celso Furtado. Acompanhar suas ideias é também perceber as tensões e impasses dos dilemas que marcam a sociedade brasileira.

Aproveitamos para convidar todas e todos a relerem o texto “Cosmopolitismo plebeu: a sociologia de Florestan Fernandes”, de André Botelho e Antonio Brasil Jr., que publicamos no dia do centenário de Florestan, clicando aqui. E ao longo dos próximos meses teremos novidades, com mais publicações sobre os centenários de 2020! Para atualizações, curtam o blog no Facebook e nos adicionem no Instagram.


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O rap, o breque e os apps: a fúria negra ressuscita outra vez, por Tarso de Melo

Galo _ Renato Maretti e Julia Thompson El País

No post de hoje, a coluna Interpretações do Brasil e poéticas publica um texto do poeta e ensaísta Tarso de Melo sobre o papel do rap na formação política de lideranças das novas lutas contra a precarização do trabalho e em especial de Paulo Lima, o Galo.

No ensaio, que reconstitui falas da liderança dos Entregadores Antifascistas lado a lado com versos do rap paulista, com destaque para os Racionais MCs, fica evidente o papel de reflexividade social da arte e suas consequências políticas para o caso analisado. Como escreve o autor a respeito da poesia de Mano Brown, “quanto daquelas letras é retirado das ruas e devolvido com mais intensidade para a fala da quebrada?”. A técnica lembra aquela proposta por Brecht a seus atores e descrita por Roberto Schwarz no ensaio “Cultura e política 1964-1969”:

nalguma parte Brecht recomenda aos atores que recolham e analisem os melhores gestos que puderem observar, para aperfeiçoar e devolvê-los ao povo, de onde vieram. A premissa deste argumento, em que arte e vida estão conciliadas, é que o gesto exista no palco assim como fora dele, que a razão de seu acerto não esteja somente na forma teatral que o sustenta. O que é bom na vida aviva o palco, e vice-versa. Ora, se a forma artística deixa de ser o nervo exclusivo do conjunto, é que ela aceita os efeitos da estrutura social (ou de um movimento) – a que não mais se opõe no essencial – como equivalentes aos seus.

A relação entre vida e arte está, assim, inscrita numa dinâmica de dupla hermenêutica (para recuperar o termo da teoria da reflexividade de Anthony Giddens): o rap lê o mundo que lê o rap.

Além do texto de hoje, aproveitamos para relembrar que o Blog da BVPS publicou na coluna Interpretações do Brasil e musicalidades uma entrevista em duas partes (que podem ser lidas aqui e aqui) com Acauam Oliveira, autor da introdução de Sobrevivendo no Inferno (Companhia das Letras, 2018), feita por Pedro Cazes.

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Pandemia, crises econômicas e políticas, questões ambientais e desafios para as Ciências Sociais, por Horácio Antunes de Sant’Ana Júnior

Mapas Industry

Na atualização de hoje da coluna Pandemia, Cultura e Sociedade, o Blog da BVPS publica o texto do sociólogo Horácio Antunes de Sant’Ana Júnior, professor titular do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). No artigo, o autor aponta para como sua área de pesquisa – a sociologia ambiental – tem sido interpelada pelos múltiplos desafios impostos pela pandemia, nem todos eles exatamente novos, mas que assumem dinâmicas particulares. Como sugere Horácio Sant’Ana Júnior, as reflexões trazidas podem nos ajudar como uma espécie de roteiro para pesquisas futuras nas ciências sociais.

Para ler os outros artigos da série Pandemia, Cultura e Sociedade basta clicar aqui. Assine o blog para receber as atualizações, curta nossa página no Facebook e siga o nosso novo perfil no Instagram.

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Facções gráfico-visuais na disputa pelo Brasil, por Pollyana Quintella

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No post de hoje, o Blog da BVPS retoma as atividades da coluna Interpretações do Brasil e poéticas, organizada pelo nosso editor-assistente Lucas van Hombeeck, doutorando em sociologia no PPGSA-IFCS/UFRJ. A seção estreou com o texto A educação pela prática da linguagem: uma chance pedagógico-filológica na poesia de João Cabral de Melo Neto e na filosofia de Paulo Freire, por Rafael Zacca, e conta hoje com Facções gráfico-visuais na disputa pelo Brasil, por Pollyana Quintella. Pollyana colabora com pesquisa e curadoria para o Museu de Arte do Rio (MAR) e é mestre em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ.

No texto, a autora reconstrói brevemente o contexto das disputas em torno da poesia experimental e de vanguarda no Brasil a partir da década de 1950 nas tensões estabelecidas entre concretismo, crítica literária e o sistema das artes visuais. Em seguida, explora as iniciativas Poema/Processo e afins, como o grupo Dés ou a Revista Brouhaha, em sua tarefa de descentramento do experimental brasileiro e reconfiguração da relação local-global pela poesia. Por fim, faz uma leitura cerrada do poema visual “1822”, de Nei Leandro, em perspectiva com as questões da dependência cultural e das diferenças regionais levantadas ao longo do texto.

Lembramos às leitoras e leitores do Blog que “Interpretações do Brasil e poéticas” é nossa quarta coluna, ao lado de “Interpretações do Brasil e política”, coordenada por Leonardo Belinelli (USP), “Interpretações do Brasil e musicalidades”, sob a coordenação de Pedro Cazes (CPII e IESP/UERJ) e “Arte e sociedade”, com curadoria de Sabrina Parracho Sant’Anna (UFRRJ).

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BVPS recomenda | “Carnaval sem fronteiras”, de Maria Laura Cavalcanti & Renata de Sá Gonçalves (Orgs.)

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O Blog da BVPS recomenda o recém-lançado Carnaval sem fronteiras: as escolas de samba e suas artes mundo afora, organizado por  Maria Laura Cavalcanti (UFRJ) e Renata de Sá Gonçalves (UFF). Ao longo de seus artigos, que contemplam distintas áreas do conhecimento, o livro trabalha formas variadas de fazer e de brincar o carnaval das escolas de samba no Brasil e em diversas partes do mundo, enfatizando a dinâmica da cultura popular e o diálogo entre saberes universitários. A coletânea é fruto de um trabalho coletivo de três anos de pesquisa, durante os quais o grupo se reuniu periodicamente  em encontros que, nas palavras das organizadoras, “propiciaram o compartilhamento, a sistematização, a abertura de novos enfoques e o aprofundamento das pesquisas sobre as escolas de samba no Brasil e sua expansão ao longo do século XX e no século XXI com a discussão de seus desdobramentos conceituais e metodológicos na antropologia e nas artes”.

Abaixo disponibilizamos a orelha do livro, escrita por Felipe Ferreira, professor dos programas de Pós-Graduação em Artes e em História da Arte da UERJ, o sumário dos capítulos e os dados das organizadoras.

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BVPS recomenda | Palestra “Autoritarismo: Pensamento e Política no Brasil”, por André Botelho

Palestra A. Botelho

O Blog da BVPS convida para a palestra “Autoritarismo: Pensamento e Política no Brasil”, por André Botelho, professor do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de O retorno da sociedade: Política e interpretações do Brasil (Hucitec, 2019).

A atividade é promovida pelo Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e ocorrerá no dia 13 de agosto, às 15h, no link: https://mconf.ufrgs.br/webconf/00233089. Para mais informações, conferir a página do evento no Facebook.

Literaturas brasileiras à margem no mundo afro-atlântico, por Maurício Acuña

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No post de hoje, o antropólogo Maurício Acuña (USP e Princeton University) escreve sobre a presença e as ausências da delegação brasileira no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras (FESMAN), ocorrido em Dacar em 1966. Por que, afinal, o embaixador do Senegal no Brasil, Henri Senghor, teve que escrever a seus superiores meses antes do evento que “No âmbito da literatura, o Brasil não ser[ia] representado”? Neste texto, o autor levanta hipóteses relativas ao contexto político e à história da definição do conceito de literatura afro-brasileira ou negra no Brasil; além de reconstruir o debate ocorrido na época em torno dessa ausência e refletir sobre a performance da delegação organizada pelo Itamaraty.

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Homenagem a Jether Pereira Ramalho (1922-2020)

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Publicamos hoje a homenagem da BVPS ao professor Jether Pereira Ramalho, falecido há um mês, no dia 28 de junho, aos 98 anos de idade. Como evidenciam os depoimentos abaixo, que recolhemos de alguns de seus amigos, colegas e alunos, em sua longa vida Jether Ramalho foi múltiplo, mas sempre fiel aos valores da educação, da justiça e da democracia. Foi professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ; ator fundamental do movimento ecumênico latino-americano; um dos fundadores do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e editor de sua revista, Tempo e Presença. Sempre alerta, foi voz combativa durante a ditadura militar, formou gerações de cientistas sociais e atuou no trabalho de base de comunidades religiosas e movimentos sociais.

Além dos depoimentos, ao final deste post trazemos um texto do próprio Jether Ramalho, “O papel dos ‘malditos da terra’”, publicado originalmente em 1986, mas que se revela extremamente atual.

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