Um diário do Ano da Peste de 2020, por Marcus Vinicius Ozores

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Na atualização de hoje da série Pandemia, Cultura e Sociedade o sociólogo e jornalista Marcus Vinicius Ozores articula dimensões de sua experiência individual, familiar e também da história e da literatura para tratar da peste e da pandemia. As fotografias que acompanham o ensaio são do próprio autor.

Pandemia, Cultura e Sociedade é uma parceria do Blog da BVPS com a revista Sociologia & Antropologia (PPGSA/UFRJ). Assine o blog para receber as atualizações e curta nossa página no Facebook.

Boa leitura!

 

 

Um diário do Ano da Peste de 2020

            Por Marcus Vinicius Ozores[1]

 

Depois de mais de um mês de clausura forçada cada um de nós – que se encontra nessa mesma condição – acaba se especializando em alguma coisa, qualquer coisa.  Muitos se tornam experts em rotinas domésticas ou, como tenho acompanhado nas redes sociais, muitos amigos que se transformaram em pós-doutores na operação de sofisticadíssimos aspiradores de pó. Outros se especializam em quitutes e acepipes. E os mais precavidos já adquiriram larga experiência na nobre atividade de lavar pacotes de salsicha, de macarrão, latas de purê de tomate, isso para ficar no melhor lado, pois já tive informação que teve gente que acabou passando álcool gel na baguete quentinha que havia chegado da padaria. Todos esses excentrismos têm como um único objetivo matar o nosso inimigo comum: o coronavírus.

Eu, por exemplo, usei esse tempo enclausurado para me especializar – além das rotinas domésticas, é claro – em nefelomancia. Isso mesmo que você acabou de ler: nefelomancia. Para praticar essa arte milenar as minhas primeiras experiências ocorreram ainda na infância quando minha mãe estendia um lençol, no gramado do quintal da nossa casa no interior paulista, e se deitava ao meu lado para observar as nuvens. Sim, nefelomancia é uma palavra grega que designa a arte de estudar as nuvens e prever o futuro. Naquela época de garoto eu apenas admirava as figuras de animais e pessoas que as nuvens formavam no céu. Eu e minha mãe passávamos horas deitados, um ao lado do outro, comentando o que cada um via e descrevia para o outro se ele compartilhava a mesma imagem. Esse era um dos nossos prazeres quase diários.

Mas hoje, depois de tanto tempo isolado – e já me sentindo assim como um Santo Antão do Deserto – passei a me dedicar, da varanda do meu apartamento, na milenar arte de prever o futuro interpretando o movimento das nuvens, ao observar esse céu azul outonal de 2020.

A primeira coisa que podemos concluir, após prolongado estudo no movimento das nuvens desse abril, é que “assim como veio a epidemia foi embora sem que ninguém se apercebesse”

Essa frase, que não é minha, faz parte das leituras de clausura do clássico de Daniel Defoe, publicado em 1722, de onde roubei o título deste artigo. O livro intitulado Um diário do Ano da Peste relata – num texto brilhante e moderno para a época e até hoje – a peste negra que assolou Londres em 1665. Com uma população de 93 mil habitantes, à época, a peste ceifou a vida de 17.440 pessoas, ou seja, quase 20% da população urbana.

Minhas leituras não pararam aí e, como temos que preencher o tempo, já que não podemos sair da nossa clausura para longas caminhadas pelas ruas de Sampa, ou idas ao trabalho, ao teatro, à ópera, aos concertos, aos cinemas, às livrarias, nesse momento de isolamento temos como companhia, além da biblioteca física caseira, essa biblioteca quase infinita que é a internet.

Para tanto não requer experiência nem cursos de especialização. Basta o dedo indicador da mão direita ou esquerda para acessar um mundo inteiro. Sinto-me como um William de Baskerville, aquele monge franciscano – personagem principal do livro O nome da Rosa, de Umberto Eco – que se dirige a um remoto mosteiro, no norte da Itália, para participar de um conclave e durante o encontro começam a ocorrer vários crimes. A história transcorre tendo como local principal da ação a biblioteca do convento que abrigava milhares de livros e um único exemplar de uma obra raríssima de Aristóteles sobre o Riso, assunto altamente condenado pelos inquisidores da época. A morte dos monges que começam a se avolumar, ao longo da trama, está associada à leitura desse exemplar único do livro de Aristóteles que continha veneno espalhado nas bordas das páginas e os monges morriam algumas horas após molhar o dedo indicador da mão para virar a página do livro. A fé, segundo o inquisidor dominicano Bernardo Gui, não podia sorrir.

E foi navegando nas ondas internetianas que a frase “assim como veio a epidemia foi embora sem que ninguém se apercebesse” vai ficando cada vez mais plausível. Foi assim que Tucídides relatou a peste de Atenas no ano de 428 a.C. No ano de 396 a.C. o exército cartaginês foi totalmente dizimado pela pandemia quando fazia o cerco à cidade de Siracusa. Já em 166 d.C. a cidade de Roma, capital do império, foi atingida pela peste que se alastrou por toda a península. O imperador Marco Aurélio pereceu junto com o vírus.

O império romano seria novamente atingido novamente entre 251 a 266 d.C. pela peste que, segundo relatos históricos, teve origem no Egito. Outra vez, no ano de 542 d.C. esse inimigo invisível chegou à cidade de Constantinopla, sede do império romano do Oriente. Essa epidemia foi uma das mais bem documentadas pela pena de Procópio de Cesareia, o historiador oficial do imperador Justiniano. De acordo com Procópio a peste ceifava 10 mil vidas diárias entre os habitantes da antiga Bizâncio.

Nas crônicas medievais, tomamos conhecimento que a pior epidemia que a Europa sofreu foi a peste negra que atingiu o continente em várias ocasiões entre os séculos XIII e XVII. Essa peste, segundo historiadores, teria começado na Mongólia e chegou à Europa através da ‘rota da seda’. Calcula-se que tenha dizimado entre 30% a 60% da população do continente. A peste não só mudou a rotina dos habitantes como mudou a economia e foi determinante para o fim da chamada baixa idade média. O número de mortos é impreciso, mas esse primeiro e maior ciclo da peste negra durou de 1347 a 1351, e calcula-se que tenham sucumbido ao vírus entre 70 a 200 milhões de pessoas na Eurásia.

A peste também dizimou grande parte dos países do oriente. Na Mongólia há relatos que metade da população pereceu vítima do yersinia pestes, enquanto na Índia há relatos de milhares de corpos humanos jogados nas ruas. A peste negra não poupou ninguém, com exceção dos habitantes do Pacífico e das Américas.

A peste negra voltou a visitar o continente europeu várias vezes até, pelo menos, o início de século XX, porém não mais com o poder mortal como aquele ocorrido no fim da primeira metade do século XIV.

Por isso que o relato de Daniel Defoe – mais conhecido do grande público até hoje pelo seu livro Robson Crusoé – é emblemático. Possuidor de uma narrativa clara e didática – se aproximando da linguagem falada nas ruas da Londres da segunda metade do século XIV – Defoe faz um relato cruel da passagem da peste negra pela cidade. Daniel Defoe é considerado, por muitos estudiosos, como o precursor do jornalismo moderno, se assim podemos nomeá-lo.

Defoe descreve como a peste mudou a rotina de uma Londres que à época contava com 90 mil e, no final da pandemia da peste, havia ceifado a vida de 20% dos seus habitantes. A primeira grande mudança, apontada no livro, foi a adoção de uma série de políticas públicas adotadas pelo rei e seu conselho de ministros visando impedir o alastramento da enfermidade. O Estado decretou, por exemplo, medidas profiláticas para impedir o avanço da peste proibindo a circulação das pessoas; a contratação de vigias que permaneciam 24 horas à porta das casas das famílias contaminadas impedindo-as de sair; foram proibidas as aglomerações nas tabernas; houve recrutamento à força de coveiros (mão de obra escassa à época); foi estabelecido sustento à população mais carente, etc. Talvez a medida mais cruel adotada nesse período – para uma Inglaterra religiosa e preconceituosa de então – foi a proibição dos enterros públicos, para as vítimas da peste. As exéquias das vítimas só podiam ocorrer antes de nascer o sol ou após o seu ocaso, e nenhum membro da família podia acompanhar o féretro. No máximo, um monge abnegado se dispunha a encomendar os corpos das vítimas que eram levados aos cemitérios em carroças e jogados em covas comuns e rapidamente cobertos por terra.

Em uma passagem do livro Defoe descreve cenas de verdadeiro filme de terror B. É o momento que narra quando os infectados vagueavam, em delírio, pelas ruas da cidade e se jogavam nas covas abertas nos cemitérios e começavam a enterrar a si mesmos, no desespero de encontrar um último descanso para a paz que não haviam encontrado em vida. O pior era a desconfiança que os vivos nutriam pelos outros temendo se contaminar. O outro sempre era o agente do mal.

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A febre amarela

Esses tempos de reclusão aguçam nossa memória e, bem lá no fundo dos nossos escaninhos mentais, vão aparecendo histórias que ouvimos, há décadas, sobre as vidas ceifadas prematuramente pelos flagelos que atingiram o nosso país.

O Brasil passou por inúmeras pandemias e epidemias ao longo da sua história, porém, duas delas me voltaram à memória nesse momento, despertadas pela Covid-19 que ronda as nossas vidas, como o espectro de Thánatos a espreitar a nossa partida.

A febre amarela nunca deixou o Brasil em paz ao longo de todo o século XIX, até meados do século XX. Como me mudei para Campinas, no longínquo ano de 1971, para estudar na Unicamp a primeira coisa que escutei dos meus colegas de classe – nascidos na terra do Brinco de Ouro da Princesa, como os da terra adoravam se identificar à época – foi que “Campinas era a cidade mais importante que São Paulo” mas, segundo esses colegas, a terra de Carlos Gomes só não havia sido escolhida definitivamente capital do Estado em decorrência da febre amarela que assombrou a cidade entre 1889 e 1897.

E para exemplificar essa tragédia faço uso o texto do romancista naturalista Júlio Ribeiro, autor do romance A carne, em crônica publicada no Diário de Campinas, de 18 de abril de 1889, que seguia a mesma lógica das linhas descritas por Defoe, 300 anos antes, para pincelar uma Londres abatida pela peste negra.

Campinas já não é o soberbo empório do café, já não é a capital agrícola, já não é a princesa radiante do oeste: é uma cidade Níobe, é uma necrópole, é um cemitério (…) O desalento pintado no rosto de um raro transeunte que, a passos largos, quase a correr, sai em cata de socorros para mais uma vítima que tomba – tudo abate, dissolve, aniquila o ânimo de quem contempla as quase ruínas da cidade flagelada, e aos lábios trêmulos acode uma palavra, não proferida, mas soprada a medo como um hálito tênue de brisa. ASSOLAÇÃO… E aos horrores da peste, vêm-se juntar os horrores da fome; às cãibras crurais produzidas pelos estragos das ptomaínas, vêm-se juntar às cãibras temerosas do estômago em vacuidade. Não há comércio, não há comerciantes, não há gêneros, não há víveres: há somente peste e há somente fome.

Relatos de época identificaram o paciente zero da epidemia de 1889, em Campinas, como sendo a jovem suíça Rosa Beck, de 24 anos, que morreu no dia 10 de fevereiro, apenas dois dias após desembarcar de trem na cidade. O que seguiu a esse acontecimento assombrou os moradores da época.

Assim que a notícia da morte de Rosa Beck se tornou conhecida, a elite local, formada por fazendeiros e donos do comércio, abandonou a cidade à sua própria sorte. Dos 27 médicos que residiam na cidade, 24 sumiram. Os únicos moradores que permanecerem no espaço urbano foram os ex-escravos e os imigrantes que não tinha a quem ou aonde recorrer ajuda.

A ajuda veio da capital federal, no estertor do Império, que cairia sete meses depois do início da epidemia, e enviou práticos em saúde, farmacêuticos e médicos para Campinas. A cidade do Rio de Janeiro convivia com as epidemias cíclicas de febre amarela e o poder público carioca contava com larga experiência no combate do aedes aegypti, o mesmo mosquito transmissor da dengue e da zika.

Com a febre amarela e o fim do Império, que cairia em novembro do corrente ano, a peste se abateu sobre Campinas que acabou por perder o sonhado posto, pelos campineiros de então, da mais importante cidade do Estado de São Paulo. Essa Campinas do Mato Dentro, que teve o maior número de escravos nos anos anteriores a 1888, pagou preço alto pela falta de calçamento, falta de controle das nascentes de água, falta mínima de esgoto. Se por um lado a peste dizimou a cidade, por outro acabou por promover o início da adoção de uma série de políticas públicas visando à melhoria das condições sanitárias.

Em 1892, o engenheiro Francisco Sales de Oliveira Jr. apresentou um plano de saneamento para a cidade que incluía o calçamento das ruas, aterramento de poços e fossas e drenagem de brejos e várzeas dos córregos que cortavam a cidade. Foi o começo de um longo caminho para que a vida voltasse a pulsar pelas ruas e o comércio da cidade, porém, o sonho dos campineiros em transformar Campinas na capital dos paulistas foi sepultado, junto com os cadáveres da febre amarela.

Nos dois primeiros anos da peste morreram 2.500 pessoas, sem nomes e sem rostos.

 

Gripe Espanhola

A primeira vez que ouvi dizer que uma gripe podia matar uma pessoa ocorreu na minha infância, na casa dos meus pais, em Araraquara, nas longas conversas que mantinha cotidianamente com minha avó paterna, que morava conosco. E o morto o qual ela se referia tinha nome, endereço e carteira de identidade de imigrante. Esse personagem, sucumbido pela gripe espanhola era meu avô espanhol, pai de meu pai.

Holandesa de nascimento, minha avó Catarina era, em 1918, cidadã residente na cidade de Santos e sobrevivia tocando piano nas sessões do cine Polytheama, situado na rua Rio Branco, numa época em que os filmes eram mudos.

Minha avó, seus pais e cinco irmãos haviam fugido da sua cidade natal, Amsterdã, na Holanda, alguns meses após o dia 28 de julho de 1914, quando foi declarada uma das mais insanas e estúpidas guerras que o mundo tem notícia. Com medo que Amsterdã sucumbisse debaixo dos bombardeios do Kaiser, a família decidiu partir, do porto de Roterdã, tendo como destino Buenos Aires. A experiência em terras portenhas não foi bem sucedida e, em março de 1915, toda a família desembarcava em Santos.

Minha avó tinha então 18 anos, quando desceu das escadas do tombadilho do navio. Era versada em cinco línguas e havia se diplomado, em piano erudito, no conservatório na sua cidade natal. E foi com recursos desse talento musical que garantiu sustento e independência financeira, tocando piano nas salas dos cinemas da cidade praieira. Sim, em 1915 os filmes eram mudos e toda a trama da narrativa cinematográfica era  interpretada ao som do piano para ressaltar as cenas de comédia, de drama ou de terror. Tendo formação de piano clássico minha avó encarou o trabalho de ser uma pianista de entretenimento, garantindo a sobrevivência.

Talvez tenha sido em uma dessas noites no Polytheama ou no Cine Moderno, na rua XV de Novembro, enquanto tocava piano para animar as pantomimas de Charles Chaplin, que conheceu meu avô, um jovem espanhol, cuja tradição familiar era de atores circenses. Esse jovem, chamado Remígio, havia desembarcado em Santos, em 1905, na companhia de mais um irmão, o meu tio Antônio.

Os dois haviam vindo ao Brasil em busca de oportunidades e abandonaram a minúscula Goyán, localizada à beira do Minho, no lado espanhol. Terras de Galícia.

Eram tempos difíceis e de muita escassez provocada pela guerra quando minha avó engravidou do meu avô. O armistício só seria decretado em 11 de novembro de 1918 em decorrência, não de algum exército vitorioso nos campos de batalha, mas sim, porque um inimigo invisível estava devastando as tropas dentro das trincheiras. Esse inimigo tinha nome: vírus H1N1.

Meu pai veio a nascer em 25 de abril de 1919.

As histórias e as estórias que esses imigrantes nos contavam nem sempre eram tão verdadeiras como nossos ouvidos infantis escutavam e nossa mente imaginava. Muitas dessas estórias eu escutava atento no quarto da minha avó, e me transportavam para outros mundos. Com o passar dos anos fui compreendendo melhor essas narrativas.

Quando a gripe espanhola aportou em território brasileiro houve um pânico generalizado uma vez que o contágio e número de mortos era muito alto. E dentre esses mortos havia um em destaque: meu avô Remígio.

Minha avó nunca contou quase nada sobre sua vida e seu passado. Sobre a família dela quase nada nos dizia a não ser que um dos seus irmãos havia sucumbido por uma bala de soldados mineiros, durante a revolução paulista de 1932. Nunca soube da vida dos seus outros irmãos, dos seus pais e muito menos sobre a família do meu avô. Era assunto tabu e ela morreu assim, só falando sobre o mundo dos livros e passava os dias fechada no seu quarto, lendo muito e ouvindo novelas da Rádio Nacional. Nessa época falava português com fluência com a família e alemão com meu pai. Havia se esquecido da sua língua materna, o holandês.

Porém, para meus ouvidos de criança as narrativas dela sobre a gripe espanhola de 1918 continuam vivas na memória e despertaram de um longo sono com a pandemia que vivemos hoje com a Covid-19.

Minha avó relatava os tempos de insanidade coletiva nas ruas dessa Santos da sua juventude de 1918, período que ela estava grávida e o Thánatos circundava os vivos. Dizia ela que os corpos dos mortos, vítimas da influenza, eram jogados nas calçadas pelas próprias famílias que ficavam com medo de se contaminar. Esses corpos, segundo ela, eram embrulhados em lençóis brancos e chegavam a ficar mais de 24 horas expostos, à espera da carrocinha da prefeitura que vinha recolher os mortos e jogá-los em valas comuns nos cemitérios da cidade. O recolhimento desses corpos ocorria sempre após o sol se pôr, talvez para esconder do astro rei a vergonha que os vivos cometiam com os seus mortos.

Outra história que minha avó narrava – e me amedrontava muito – era que dentre esses corpos, abandonados nas calçadas, alguns não estavam completamente mortos e eram abatidos com as pás e as picaretas dos coveiros uma vez que, segundo a avaliação desses, aqueles indivíduos semivivos já estavam condenados uma vez que haviam sido abandonados pelas próprias famílias. Nessa época surgiram inúmeros relatos de necrofilia que ocorriam com as jovens mais bonitas da comunidade. Esse tema era corriqueiro na imprensa e nos bares com requintes de horror lembrando que os corpos das moças mais bonitas eram disputados pelos coveiros, que praticavam o ato sexual com defunta longe dos olhos de testemunhas, uma vez que os enterros eram vetados à participação dos viventes.

São nesses tempos sombrios e de reclusão desse outono de 2020 e, no momento que escrevo esse pequeno relato, as histórias contadas pela minha avó voltaram junto com o frescor da memória juvenil, ouvidas naquele pequeno quarto que minha avó habitava, na nossa casa na agora cada vez mais distante Araraquara.

Da mesma maneira que a gripe espanhola de 1918 marcou para sempre a vida das pessoas daquele período que perderam pessoas próximas ou não, essa pandemia causada pela Covid-19 de 2020 marcará para sempre as nossas vidas.

A certeza que podemos ter é “assim como veio a epidemia foi embora sem que ninguém se apercebesse”

Quem viver verá.

Marcus 3

 

[1] Sociólogo e Jornalista. Pesquisador do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (NEPP-UNICAMP)

 

* Os textos publicados pelos colaboradores não refletem as posições da  BVPS.

3 comentários

  1. A história revivenciada e recontada com acréscimo de vivências próprias , trazidas para o que é mais uma vez atual, temido e cujo fim se anseia para que renasça uma nova vida e um novo ciclo. Parabéns e gratidão ao Marcos Vinicius , pela sua exposição em texto e sentimentos. Jornalista, sociólogo e conhecedor da dor , da carência e da fé humanas.

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  2. O texto nos remete a considerar epocas passadas one a mesma situaçao de peste ocorreu. No mundo em epocas passadas e em Campinas, e hoje em Campinas. A narrativa é fluente e gostosa. Me senti criança ouvindo meus avós falarem dos tempos “de antes”! Obrigado ao Marcos Vinicius!

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