Lançamento do livro “Zigue-Zague”, de Ricardo Benzaquen

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Caros (as),

O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro “Zigue-zague” de Ricardo Benzaquen de Araújo, com seleção e organização de Carmen Felgueiras, Marcelo Jasmin e Marcos Veneu. O lançamento ocorrerá no dia 21/11 na Livraria da Travessa (Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema – Rio de Janeiro).

Abaixo publicamos texto inédito intitulado “Artes de Ricardo Benzaquen”, de Carmen Felgueiras (UFF). O texto apresenta as particularidades do estilo de Ricardo Benzaquen e como ele marca os trabalhos que compõem “Zigue-zague”. Boa leitura!

Artes de Ricardo Benzaquen

Carmen Felgueiras (UFF)

O livro que ora está sendo lançado foi idealizado, ainda em vida, pelo próprio Ricardo Benzaquen, mais precisamente no ano de 2015. Nessa época, ele considerava que, como havia um certo volume de artigos seus publicados em diferentes lugares ao longo da sua atividade acadêmica, valeria a pena reuni-los em livro. Estando “pronto”,  preocupava-o, antes de tudo, o título; aliás, encontrar o título adequado – os desta coletânea o demonstram – sempre foi uma de suas obsessões. Até que um dia o encontrou. Seria “zigue-zague”. Satisfeito, fazendo questão da grafia com hífen, desenhava-o no ar para os seus interlocutores de ocasião. Contudo, as atribulações do cotidiano pessoal e universitário, como professor da PUC-Rio, adiavam indefinidamente o projeto. Perfeccionista que era, mesmo que estivessem “prontos”, é provável que considerasse a hipótese de que uma releitura dos artigos exigisse um esforço de revisão e mesmo de reelaboração que demandaria um tempo e uma energia de que não dispunha naquele momento. Infelizmente, a descoberta, em 2016, da doença que acabou por vitimá-lo em 2017 encerrou para ele as chances de concretização do projeto Zigue-zague.

Nada em Ricardo era óbvio, literal. O título, Zigue-zague, poderia nos levar a supor que, com ele, Ricardo estaria se referindo apenas a uma trajetória intelectual que se desenvolveu de modo errático, sem um plano definido. Nada mais falso. O título ultrapassa sua dimensão pessoal e torna-se uma metáfora crítica da concepção moderna de história, crítica enunciada de modo magistral no artigo “Ronda Noturna. Narrativa, crítica e verdade em Capistrano de Abreu”. Se, contra a tradição clássica da história, a moderna historiografia nos impõe uma narrativa totalizante, nas quais os eventos singulares dela participam apenas na medida em que contribuem para o desenvolvimento de um enredo; se a objetividade do narrador neutro, peça-chave dessa concepção, confere autoridade e legitimidade a esse enredo, Ricardo aciona as artes de Hayden White, Ricoeur, e Nietszche, entre outros, para demonstrar a vã pretensão da concepção iluminista de história de dominar ou erradicar a tragédia e o acaso.

Ricardo foi um grande intelectual, mas exerceu a sua profissão de um modo peculiar.  Foi um orientador rigoroso, formou gerações de estudantes na graduação e nos programas de pós-graduação da PUC e do antigo IUPERJ. Iniciava os seus alunos nos grandes autores da tradição clássica, em diálogo com a contemporaneidade e sem quaisquer preconceitos disciplinares, transitando com naturalidade pela história, pela antropologia, pela filosofia, pela crítica literária, pela sociologia. É extensa a lista de seus orientandos e orientandas, em todos os níveis, da graduação ao doutorado, sem contar com uma infinidade de orientações informais, pois bastava que o estudante ou o colega enunciasse um problema, uma dificuldade, e lá estava Ricardo pronto a ajudá-lo com sua enorme erudição e inteligência.

Não era um homem exclusivamente do gabinete, embora passasse muitas horas do seu dia, e também da noite, trabalhando em sua sala no departamento de História ou na Biblioteca da PUC, ou ainda, em seu escritório privado; também não era um intelectual público no sentido mais comum do termo. Ricardo foi um professor – seu espaço público era a sala de aula, as conferências e seminários dos laboratórios de pesquisa e das associações científicas de que participou, sempre de modo admirável, afirmando acima de tudo a importância das ciências humanas como um valor.

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