Lançamento do livro “O Retorno da Sociedade”, de André Botelho (PPGSA/UFRJ)

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O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro O Retorno da Sociedade – Política e Interpretações do Brasil de André Botelho (PPGSA/UFRJ), que ocorrerá no dia 21/10 às 22 horas no Hotel Glória durante o 43ª Encontro Anual da ANPOCS.

Em O Retorno da sociedade, André Botelho volta os olhos para as interpretações clássicas do Brasil a fim de compreender de modo renovado as relações entre sociedade e política. Nos diferentes capítulos, nossa tradição intelectual ganha uma atualidade surpreendente, sobretudo por tornar claro que as inovações democráticas das últimas décadas não anularam a sociabilidade e os valores autoritários marcantes na nossa história.

Abaixo disponibilizamos trecho do Posfácio do livro escrito por Maurício Hoelz (UFRRJ), que pode ser lido na íntegra neste link, além de um teaser de apresentação do livro.

 

Posfácio: O método bem temperado

Maurício Hoelz

 

Recolocar a política na sociedade, será ocioso dizer ao leitor que se ocupar deste posfácio, significa reaprender que as instituições políticas e o Estado não se realizam num vazio de relações sociais – para usar a fórmula, quase mantra, lapidar de André Botelho, que imanta os textos desta coletânea. Rejeitando tanto visões institucionalistas quanto sistêmicas hoje quase “naturalizadas”, que pressupõem a autonomia concreta e explicativa da vida política, a tradição intelectual pesquisada em O retorno da sociedade não se limita a meramente relacionar política e sociedade: especifica as bases e a dinâmica social – ou, poderíamos dizer, trabalha a matéria sócio-histórica – de que se encarnam a política e o Estado – por isso merece ser chamada de “sociologia política”. Esse reaprendizado é condição para que possamos compreender os impasses gerados pelo retorno, violento e socialmente legitimado, dos valores e práticas autocráticas da velha sociedade brasileira, desenganada erroneamente, ao espaço público e à política. O título do livro não poderia ser mais certeiro, pois se trata mesmo do retorno do recalcado em vários sentidos, a começar pelo fato de que a sociedade, banida levianamente da explicação política, nunca deixou de silenciosa e subterraneamente definir suas possibilidades e limites, e agora dá o troco ao nos surpreender com um uso aparentemente ritual ou instrumental das instituições democráticas contra os próprios avanços substantivos da democracia. A ideia de retorno da sociedade, desentranhada dessa tradição da sociologia política, procura também – em fina provocação ao célebre livro de Alain Touraine – problematizar o papel da sociedade na constituição das formas de solidariedade e de participação social, desestabilizando visões excessivamente idealizadas e voluntaristas dos movimentos sociais e da ação coletiva, que acabaram os convertendo em forças virtuosas (e quase míticas) da mudança na contemporaneidade, o que parece ter levado à sobrevalorização da especificidade do presente em detrimento da compreensão do processo social como teia de constrangimentos estruturais e opções históricas.

 

 

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